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Se você já trabalhou na área de compras, certamente já utilizou o Compras.gov (antigo Comprasnet), o principal portal de compras públicas no Brasil. Apesar da sua relevância, dados recentes indicam que (nem de longe) ele é o único. Nesta edição, vou descrever quais são os 10 maiores portais de contratação pública no país, e fazer algumas observações sobre os resultados encontrados.

Metodologia

Os dados foram extraídos do Painel PNCP em Números, uma funcionalidade do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP). Desde a publicação da Lei 14.133/2021, a publicação das licitações no PNCP é requisito obrigatório de divulgação e transparência das licitações e contratos. Em outras palavras, uma compra realizada em qualquer portal de contratação pública só tem validade se ela estiver integrada ao PNCP. Portanto, considera-se que o PNCP é fonte confiável e abrangente das contratações realizadas no Brasil. 

Para este levantamento, foram consideradas as contratações realizadas apenas em 2025, que atendiam simultaneamente aos seguintes critérios:

  1. Contratações homologadas;
  2. Itens homologados;
  3. Ano de publicação em 2025;
  4. Ano do resultado em 2025.

Estes parâmetros excluem do levantamento os processos iniciados em 2025 com conclusão em 2026, bem como licitações iniciadas em anos anteriores. Itens frustrados, desertos ou ainda em andamento também foram desconsiderados.

Resultados

Os registros do PNCP indicam que, em 2025, foram homologadas contratações que ultrapassam os 880 bilhões de reais (R$ 880.534.324.354,46), distribuídas em mais de 200 portais de contratações públicas (209). Em valores homologados, os 10 maiores portais de contratação pública no Brasil foram:

  1. Compras.gov.br;
  2. Licita+Brasil;
  3. ECustomize Consultoria em Software S.A (Portal de Compras Públicas);
  4. Licitanet Licitações Eletrônicas LTDA;
  5. Portal de Compras do Estado de Minas Gerais;
  6. BLL Compras;
  7. Secretaria de Estado da Administração e da Previdência do Estado do Paraná – SEAP-PR;
  8. AZ INFORMATICA LTDA (ComprasBR);
  9. Bolsa Nacional De Compras – BNC;
  10. IPM Sistemas.

O gráfico e a tabela indicam a representatividade de cada um desses portais em relação a todas as contratações realizadas.

Veja também:  Licitando #39: o Decreto do SICX
Gráfico em pizza multicolorido com o percetual dos dez maiores portais de contratação pública.
TOP 10 Portais de Contratação Pública em 2025
#Portal de ContrataçãoValor HomologadoRepresentatividade
1Compras.gov.brR$ 366.497.866.868,4841,62%
2Licita + BrasilR$ 48.400.636.920,355,50%
3ECustomize Consultoria em Software S.A (Portal de Compras Públicas)R$ 33.528.401.323,323,81%
4Licitanet Licitações Eletrônicas LTDAR$ 29.174.738.139,133,31%
5Portal de Compras do Estado de Minas GeraisR$ 21.603.547.069,782,45%
6BLL ComprasR$ 20.319.955.679,222,31%
7Secretaria de Estado da Administração e da Previdência do Estado do Paraná (SEAP-PR)R$ 20.180.647.179,562,29%
8AZ INFORMATICA LTDA (ComprasBR)R$ 19.995.959.547,432,27%
9Bolsa Nacional De Compras (BNC)R$ 17.432.110.678,311,98%
10IPM SistemasR$ 15.201.317.840,631,73%
TOTALR$ 592.335.181.246,1967,27%

O conjunto das dez maiores plataformas respondem por 67,27% do mercado de licitações no país, somando R$ 592,33 bilhões em contratações homologadas. Individualmente, o Compras.gov preserva sua hegemonia no processamento das compras públicas, já que lidera isoladamente com R$ 366,5 bilhões, concentrando 41,62% de todo o valor transacionado, enquanto os demais portais representam individualmente menos de 6% dos valores homologados.

O segundo colocado no ranking é o Licita+Brasil, com R$ 48,4 bilhões (5,50%), seguido pelo Portal de Compras Públicas, com R$ 33,5 bilhões (3,81%). Outro dado importante é o perfil das dez maiores plataformas: 3 plataformas são públicas e 7 plataformas são privadas. São elas:

  • Públicas: Compras.gov | Portal de Compras do Estado de MG | Secretaria de Estado da Administração e da Previdência do Estado do Paraná – SEAP-PR
  • Privadas: Licita+Brasil | Portal de Compras Públicas | Licitanet | BLL Compras | ComprasBR | Bolsa Nacional de Compras | IPM Sistemas

Uma surpresa no levantamento foi a ausência do Licitações-e, do Banco do Brasil, no Top 10. Já tive experiência com esse sistema, e acreditava que ele estaria pelo menos entre as cinco maiores. Entretanto, o Licitações-e aparece apenas na 15ª posição com R$ 10 bilhões (1,07%) em valores homologados. 

Veja também:  TCE-PR suspende licitação por uso indevido da modalidade concorrência

O levantamento completo, englobando os 209 portais de contratação pública, com seus respectivos valores, está disponível nesta página.

Limitações

A análise dos dados mostra que muitos dos portais indicados possuem o mesmo nome de um estado, município ou secretaria. Por exemplo, apenas no Estado de Santa Catarina, foram contabilizados 5 portais diferentes de natureza pública:

  • Secretaria de Estado da Administração de Santa Catarina;
  • Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina;
  • MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADORIA GERAL DE JUSTICA;
  • Santa Catarina Tribunal de Justiça/Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina;
  • Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC). 

Embora dependa do modo como o sistema de origem integra seus dados ao PNCP, é improvável que todos esses órgãos operem plataformas proprietárias, sobretudo casos como o da ALESC, que registrou R$ 1.073,00 no ano, ou da Câmara Municipal de Garanhuns, com R$ 150.000,00. Os motivos dessa multiplicidade devem ser esclarecidos.        

Por fim, cabe reforçar o critério temporal: ao restringir os dados apenas aos certames iniciados e concluídos dentro de 2025, os números finais excluem fluxos plurianuais. 

Encontrou algum erro? Gostaria de contribuir com alguma informação? Por favor, entre em contato comigo através do e-mail co*****@***********el.pro. Posso corrigir ou complementar essa edição no site

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Se você perdeu 📰

Veja também:  Licitando #38: o Pregoeiro vai acabar?

Vale a pena 👍

  • Já que esta edição foi dedicada às plataformas de contratação pública, recomendo a leitura do artigo “Uso De Plataformas Privadas Nas Licitações Brasileiras”, escrito por Bradson Camelo, Marcos Nóbrega, e Ronny Charles, publicado na Revista INCP n.º 3.  

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